Santo Deus, como não arriscar, quando não se conhece outro consolo e se tem tanta necessidade dele!
(Hermann Hesse - Rosshalde)
domingo, 10 de abril de 2011
da-me uma cauda.
- Confesso que ainda não li Taine. Por certo que o senhor terá refletido muito mais do que eu sobre os problemas de estética...
- Antes, sim. A arte e a cultura, o apolíneo e o dionisíaco, e tudo o que se pensava e filosofava a respeito, tinham para mim uma importância enorme, como deves imaginar. Hoje, em compensação, dou-me por satisfeito quando consigo realizar um bom quadro. Já não tenho problemas a tal respeito. A bem dizer, os meus problemas não são de ordem filosófica. Se tivesse de explicar o motivo por que sou artista e por que pinto, diria que sou pintor porque não tenho cauda.
- Cauda? Não entendi, pai. Que quer dizer com isso?
- Pois é muito simples. Os cães e os gatos e muitos outros animais não só estão dotados de uma cauda com que exprimem o que pensam, sentem e sofrem mas, além disso, mediante a linguagem da cauda, são capazes de formar milhares de arabescos com maravilhosa perfeição, comunicam a sua vida interior... de sua alma, quem sabe? Alegria, medo, confiança, ódio, cautela, astúcia, tudo eles são capazes de comunicar através de caprichosos movimentos de cauda. Como nós, homens, não temos caudas e os de temperamento mais impulsivos sentimos a necessidade imperiosa de expressar-nos, recorremos então ao pincel, ao piano ou ao violino...
( Rosshalde, Herman Hesse )
- Antes, sim. A arte e a cultura, o apolíneo e o dionisíaco, e tudo o que se pensava e filosofava a respeito, tinham para mim uma importância enorme, como deves imaginar. Hoje, em compensação, dou-me por satisfeito quando consigo realizar um bom quadro. Já não tenho problemas a tal respeito. A bem dizer, os meus problemas não são de ordem filosófica. Se tivesse de explicar o motivo por que sou artista e por que pinto, diria que sou pintor porque não tenho cauda.
- Cauda? Não entendi, pai. Que quer dizer com isso?
- Pois é muito simples. Os cães e os gatos e muitos outros animais não só estão dotados de uma cauda com que exprimem o que pensam, sentem e sofrem mas, além disso, mediante a linguagem da cauda, são capazes de formar milhares de arabescos com maravilhosa perfeição, comunicam a sua vida interior... de sua alma, quem sabe? Alegria, medo, confiança, ódio, cautela, astúcia, tudo eles são capazes de comunicar através de caprichosos movimentos de cauda. Como nós, homens, não temos caudas e os de temperamento mais impulsivos sentimos a necessidade imperiosa de expressar-nos, recorremos então ao pincel, ao piano ou ao violino...
( Rosshalde, Herman Hesse )
Assinar:
Comentários (Atom)